quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

3 0 0 .






SONHO TRIANGULAR



 

No meu sonho no convés estremeci — é que pela minha alma de Príncipe Longínquo passou um arrepio de presságio...






Um silêncio ruidoso a ameaças invadiu como uma brisa lívida a atmosfera visível da saleta.


Tudo isto é haver um brilho excessivo e inquietante no luar sobre o oceano que não ondula já mas estremece; tornou-se evidente — e eu ainda os não ouvi — que há ciprestes ao pé do palácio do Príncipe.


O gládio do primeiro relâmpago volteou vagamente no além... É a de relâmpago o luar sobre o mar alto e tudo isto é ser ruínas já e passado afastado o meu palácio do príncipe que nunca fui...


Com um ruído soturno e aproximando-se o navio corta as águas, a saleta escurece lividamente, e não morreu, não está preso algures, não sei o que [é] feito dele — do príncipe — que gélida coisa desconhecida lhe destino agora?...

 
 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

S Θ p r Θ ?







E se O Deuζ

Nos apagasse a Vida,

Como o sopro

na chama de uma

vela . . .



θΝΤθζ






quarta-feira, 23 de novembro de 2011

os errados










A imperfeição é muito mais bonita do que a perfeição porque a perfeição não existe.

 
jlp

 
 
 


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

m o m e n t u m








entornada no solo,

dormente,

são vitais

os únicos sinais

que se te distinguem,

és uma massa indefinida

e viva, respiras e pulsas

sim, não és pedra

mas estás fria



bruno m. b. rodrigues
 
 


 

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

RЄTΘRNΘ






A palavra [ vazia] Vida, em oponente uso à de Morte, só de engano conforto serve, a quem desabitou a Alma . . .



θΝΤθζ
 
 

domingo, 6 de novembro de 2011

ραĽανřα




A fragilidade da palavra torna-lhe indiferente a alma . . .


θΝΤθζ



segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Se Depois de Eu Morrer, Quiserem Escrever a Minha Biografia







 

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,

Não há nada mais simples

Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.

Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.



Sou fácil de definir.

Vi como um danado.

Amei as cousas sem sentimentalidade nenhuma.

Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.

Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.

Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras;

Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.

Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.



Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.

Fechei os olhos e dormi.

Além disso, fui o único poeta da Natureza.



alberto caeiro
 
 
 

terça-feira, 25 de outubro de 2011

ΝΘ ĿΔGΘ ĐΘ BRΞU



 





No Lago do breu

Sem luzes no céu

Nem bom Deus

Que venha abrasar

Os ateus

No Lago do Breu



No Lago do breu

A noite não vem

Sem sinais

Que fazem tremer

Os mortais

No Lago do breu



Mas quem não for mau

Não vá

Que o céu não se compra


Não vejo razão

Pra ser

Quem teme e não quer

Viver

Sem luzes no céu

Só mesmo como eu

No Lago do breu



No Lago do breu

os dedos da noite

vão juntos para amortalhar

os defuntos

no Lago do breu



No Lago do breu

A lua nasceu

Mas ninguém

Pergunta quem vai

Ou quem vem

No Lago do Breu



Mas quem não for mau

Não vá

Que o céu não se compra


Não vejo razão

Pra ser

Quem teme e não quer viver

Sem luzes no céu

Só mesmo como eu

No Lago do breu



No Lago do breu

Meninas perdidas

Eu sei

Mas só nestas vidas

Me achei

No Lago do Breu



Mas quem não for mau

Não vá

Que o céu não se compra


Não vejo razão

Pra ser

Quem teme e não quer

Viver

Sem luzes no céu

Só mesmo como eu

No Lago do breu



josé afonso



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

ΣΜΘÇÄΘ





A emoção

elevada ao expoente

excesso,

despe todo

o humano

Eu . . .



θΝΤθζ





sexta-feira, 21 de outubro de 2011

ΤΣΜΡΘ




No Tempo

escreve-se

como

se lavra

na terra . . .



θΝΤθζ



domingo, 16 de outubro de 2011

o nosso livro







 

Livro do meu amor, do teu amor,

Livro do nosso amor, do nosso peito...

Abre-lhe as folhas devagar, com jeito,

Como se fossem pétalas de flor.



Olha que eu outro já não sei compor

Mais santamente triste, mais perfeito.

Não esfolhes os lírios com que é feito

Que outros não tenho em meu jardim de dor!



Livro de mais ninguém! Só meu! Só teu!

Num sorriso tu dizes e digo eu:

Versos só nossos mas que lindos sois!



Ah! meu Amor! Mas quanta, quanta gente

Dirá, fechando o livro docemente:

"Versos só nossos, só de nós os dois!..."
 
 
florbela de alma
 
 
 

o teu livro







 


Li o teu livro, Amor, sofregamente;

Li-o, e nele em vão me procurei!

No teu livro d'amor não me encontrei,

Tendo lá encontrado toda a gente.



Um livro é a nossa alma, nunca mente!

Um livro somos nós, eu bem o sei...

E se em teus lindos versos não me achei

É que a tua alma nem sequer me sente!



As rosas do teu livro! As tuas rosas!

Rubros beijos de bocas mentirosas,

Desfolhastes por todas as mulheres!



Mas deixa, meu Amor, mesmo pisadas,

As tuas lindas rosas desfolhadas

Eu apanho-as do chão, se tu quiseres...
 
 
florbel de alma
 
 

sábado, 15 de outubro de 2011

Ν Λ Đ Λ







Agora compreendia: as coisas são inteiramente o que parecem - e por trás delas . . . não há nada.


jean-paul sartre

terça-feira, 11 de outubro de 2011

╬ P R Є C Є ╬










Senhor, que és o céu e a terra, que és a vida e a morte! O sol és tu e a lua és tu e o vento és tu! Tu és os nossos corpos e as nossas almas e o nosso amor és tu também. Onde nada está tu habitas e onde tudo está - (o teu templo) - eis o teu corpo.

Dá-me alma para te servir e alma para te amar. Dá-me vista para te ver sempre no céu e na terra, ouvidos para te ouvir no vento e no mar, e mãos para trabalhar em teu nome.

Torna-me puro como a água e alto como o céu. Que não haja lama nas estradas dos meus pensamentos nem folhas mortas nas lagoas dos meus propósitos. Faze com que eu saiba amar os outros como irmãos e servir-te como a um pai.

[...]

Minha vida seja digna da tua presença. Meu corpo seja digno da terra, tua cama. Minha alma possa aparecer diante de ti como um filho que volta ao lar.

Torna-me grande como o Sol, para que eu te possa adorar em mim; e torna-me puro como a lua, para que eu te possa rezar em mim; e torna-me claro como o dia para que eu te possa ver sempre em mim e rezar-te e adorar-te.

Senhor, protege-me e ampara-me. Dá-me que eu me sinta teu. Senhor, livra-me de mim.






Fernando Pessoa










quinta-feira, 6 de outubro de 2011

VenenΦ






Mostrar cólera e ódio nas palavras ou no semblante é inútil, perigoso, imprudente, ridículo e comum. Não devemos mostrar a nossa cólera ou o nosso ódio senão por meio de actos; e estes podem ser praticados tanto mais perfeitamente quanto mais perfeitamente tivermos evitado os primeiros. Os animais de sangue frio são os únicos que têm veneno.




Schopenhauer


domingo, 2 de outubro de 2011

S Δ L M Θ 91







Aquele que habita sob a protecção do Altíssimo
e mora à sombra do Omnipotente,
pode exclamar: «SENHOR, Tu és o meu refúgio,
a minha cidadela, o meu Deus, em quem confio!»
Ele há-de livrar-te da armadilha do caçador
e do flagelo maligno.
Ele te cobrirá com as suas penas;
debaixo das suas asas encontrarás refúgio;
a sua fidelidade é escudo e couraça.
Não temerás o terror da noite,
nem da seta que voa de dia,
nem da peste que alastra nas trevas,
nem do flagelo que mata em pleno dia.
Podem cair mil à tua esquerda
e dez mil à tua direita,
mas tu não serás atingido.
Basta abrires os olhos,
para veres a recompensa dos ímpios.
Pois disseste: «O SENHOR é o meu único refúgio!»
Fizeste do Altíssimo o teu auxílio.
Por isso, nenhum mal te acontecerá,
nenhuma epidemia chegará à tua tenda.
É que Ele deu ordens aos seus anjos,
para que te guardem em todos os teus caminhos.
Eles hão-de elevar-te na palma das mãos,
para que não tropeces em nenhuma pedra.
Poderás caminhar sobre serpentes e víboras,
calcar aos pés leões e dragões.
«Porque acreditou em mim, hei-de salvá-lo;
hei-de defendê-lo, porque conheceu o meu nome.
Quando me invocar, hei-de responder-lhe;
estarei a seu lado na tribulação,
para o salvar e encher de honras.
Hei-de recompensá-lo com longos dias
e mostrar-lhe a minha salvação.»



quinta-feira, 29 de setembro de 2011

sopro da vida










Os ventos que ás vezes tiram
algo que amamos, são os
mesmos que trazem algo que
aprendemos a amar...
Por isso não devemos chorar
pelo que nos foi tirado e sim,
aprender a amar o que nos foi
dado. Pois tudo aquilo que é
realmente nosso, nunca se vai
para sempre...











bob marley














quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Desobediência Civil







Combater a Opressão

 É certamente admirável o homem que se opõe a todas as espécies de opressão, porque sente que só assim se conseguirá realizar a sua vida, só assim ela estará de acordo com o espírito do mundo; constitui-lhe suficiente imperativo para que arrisque a tranquilidade e bordeje a própria morte o pensamento de que os espíritos nasceram para ser livres e que a liberdade se confunde, na sua forma mais perfeita, com a razão e a justiça, com o bem; a existência passou a ser para ele o meio que um deus benevolente colocou ao seu dispor para conseguir, pelo que lhe toca, deixar uma centelha onde até aí apenas a treva se cerrara; é um esforço de indivíduo que reconheceu o caminho a seguir e que deliberadamente por ele marcha sem que o esmoreçam obstáculos ou o intimide a ameaça; afinal o poderíamos ver como a alma que busca, após uma luta de que a não interessam nem dificuldades nem extensão.



agostinho da silva
 
 

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

desobediência civil












A desobediência civil é um direito intrínseco do cidadão. Não ouse renunciar, se não quer deixar de ser homem. A desobediência civil nunca é seguida pela anarquia. Só a desobediência criminal com a força. Reprimir a desobediência civil é tentar encarcerar a consciência.






M a h a t m a    G a n d h i




quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O que Me Dói não É












O que me dói não é

O que há no coração

Mas essas coisas lindas

Que nunca existirão...

São as formas sem forma

Que passam sem que a dor

As possa conhecer

Ou as sonhar o amor.

São como se a tristeza

Fosse árvore e, uma a uma,

Caíssem suas folhas

Entre o vestígio e a bruma.

 

Fernando Pessoa





sábado, 17 de setembro de 2011

I have a dream today








Tenho um sonho, hoje.


 Tenho um sonho que um dia todo os vales serão elevados, todas as montanhas e encostas serão niveladas, os lugares ásperos serão polidos, e os lugares tortuosos serão endireitados, e a glória do Senhor será revelada, e todos os seres a verão, conjuntamente.


Esta é nossa esperança. Esta é a fé com a qual regresso ao Sul. Com esta fé seremos capazes de retirar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé poderemos transformar as dissonantes discórdias de nossa nação numa bonita e harmoniosa sinfonia de fraternidade. Com esta fé poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, ir para a prisão juntos, ficarmos juntos em posição de sentido pela liberdade, sabendo que um dia seremos livres.


Esse será o dia quando todos os filhos de Deus poderão cantar com um novo significado: "O meu país é teu, doce terra de liberdade, de ti eu canto. Terra onde morreram os meus pais, terra do orgulho dos peregrinos, que de cada localidade ressoe a liberdade".


E se a América quiser ser uma grande nação isto tem que se tornar realidade. Que a liberdade ressoe então dos prodigiosos cabeços do Novo Hampshire. Que a liberdade ressoe das poderosas montanhas de Nova Iorque. Que a liberdade ressoe dos elevados Alleghenies da Pensilvania!


Que a liberdade ressoe dos cumes cobertos de neve das montanhas Rochosas do Colorado!


Que a liberdade ressoe dos picos curvos da Califórnia!


Mas não só isso; que a liberdade ressoe da Montanha de Pedra da Geórgia!


Que a liberdade ressoe da Montanha Lookout do Tennessee!


Que a liberdade ressoe de cada Montanha e de cada pequena elevação do Mississipi.


Que de cada localidade, a liberdade ressoe.


Quando permitirmos que a liberdade ressoe, quando a deixarmos ressoar de cada vila e cada aldeia, de cada estado e de cada cidade, seremos capazes de apressar o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar as palavras da antiga canção negra: "Liberdade finalmente! Liberdade finalmente! Louvado seja Deus, Todo Poderoso, estamos livres, finalmente!"




Martin Luther King, Jr.




sexta-feira, 9 de setembro de 2011

nunca renunciar








Não quero nunca renunciar à liberdade deliciosa de me enganar.
 

che guevara

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O Teu Olhar














Passam no teu olhar nobres cortejos,
Frotas, pendões ao vento sobranceiros,
Lindos versos de antigos romanceiros,
Céus do Oriente, em brasa, como beijos,

Mares onde não cabem teus desejos;
Passam no teu olhar mundos inteiros,
Todo um povo de heróis e marinheiros,
Lanças nuas em rútilos lampejos;

Passam lendas e sonhos e milagres!
Passa a Índia, a visão do Infante em Sagres,
Em centelhas de crença e de certeza!

E ao sentir-se tão grande, ao ver-te assim,
Amor, julgo trazer dentro de mim
Um pedaço da terra portuguesa!





florbela de alma conceição espanca

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Quase um Poema de Amor






Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.

Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
— Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.

miguel torga

segunda-feira, 25 de julho de 2011

não procuro um amor entre os cardos










não procuro um amor entre os cardos,
se é entre os cardos que me vês, procura
pensar que um amor não se perde por ali
nem por ali se deve encontrar. se estou
entre os cardos, meu amor, é para te esquecer
e se me vires, pensa que é por ti, absolutamente por ti
que procuro apenas dores, apenas fardos,
para lentamente matar o meu coração. e
se me vires cair, se entretanto me vires no chão,
não me apanhes, não me ajudes, pensa que
já ninguém passeia nos cardos e que o
amor, para castigo dos que morrem, recomeça
num outro lugar, seguramente à tua espera.
depois sorri mesmo que te seja difícil, se por
mais difícil que seja para mim ver-te sorrir
é entre os cardos que devo partir, quando
fugazmente te souber passando, tão parecida
com ires buscar a felicidade sem mim e eu
só mais uns segundos, já meus anjos preparados.






valter hugo mãe

sexta-feira, 22 de julho de 2011






D. SEBASTIÃO
Rei de Portugal

Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.

Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?

f. pessoa

Elmo de S.A.R. D. Sebastião



O Imperador da Iíngua Portuguesa



O céu 'strela o azul e tem grandeza.
Este, que teve a fama e à glória tem,
Imperador da língua portuguesa,
Foi-nos um céu também.


No imenso espaço seu meditar,
Constelando de forma e de visão,
Surge, prenúncio claro do luar,
El-Rei D. Sebastião.


Mas não, não é luar: é luz do etéreo.
É um dia; e, no céu amplo de desejo,
A madrugada irreal do Quinto Império
Doira as margens do Tejo.


f. pessoa

quarta-feira, 13 de julho de 2011

cântico negrΘ





Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

josé régiΘ